Posto diretamente do WordPress, já que não tenho mais Word. Aliás, de uns tempos para cá, aprendi e desaprendi a fazer dezenas de coisas diferentes. Há muito não entro por aqui. Para se ter uma ideia, da última vez que publiquei algo o Michael Jackson ainda estava vivo – e, se bobear, ainda era negro. Michael Jordan ainda estava no Chicago Bulls. E o Michael – filho de uma vizinha – ainda comemorava seus três anos. Lembro-me como se fosse hoje, um bolo solado, um glacê horrível, mas enfim… Michael podia, era mais respeitado inclusive em sua escolinha por ter um nome “do estrangeiro”. Que raios eu estou fazendo aqui?
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“Senhor, temos uma mensagem urgente para você. Cremos que é de suma importância que você saiba da existência dela e que tome conhecimento do que lá está contido assim que possível. Entre em contato com o número zero oitocentos, que seja. Gratos”. Recebi um texto assim de alguma destas empresas para as quais as nossas dívidas são repassadas. Provavelmente, pela forma como foi escrita, a mensagem não era para mim. Era para o James Bond.
- Senhor Bond, obrigado por atender à solicitação. Mr. William deixou esta mensagem codificada para que você. Por favor, tenha cuidado com os capangas de Mr. Sheringham.
- Minha filha, eu só devo ao banco, mas que diabos!
Os sistemas de cobrança estão cada vez mais sofisticados. Menos mal que os modos de gastar estejam indo pelo mesmo caminho.
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Desde que me tornei um repórter – voluntarioso repórter – não tenho mais contato com textos que não os do meu trabalho. Aliás, desde que me tornei um repórter não tenho mais contato com ninguém e com nada. Embora more em uma redação, não tenho do que reclamar. Meu texto está mais conciso, mais direto, mais objetivo, mais… Segue o bloco.
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Fico cada vez mais espantado com a capacidade que as pessoas têm de serem totalmente incapazes e incapacitadas, principalmente. Enquanto alguns discursam sobre cultura global – talvez com duplo sentido, talvez, e mais duas pedrinhas de gelo, mas sem limão – e a importância da Índia para o nosso glorioso país, outros pregam a valorização da nacionalização quase-que-absurdista do modo de pensar semi-culturalmente falando, tudo em relação, claro, a seja lá que diabos isso queira dizer.
Enquanto alguns teorizam até encher o saco – próprio e os dos outros -, outros se esvaziam de forma igualmente sacal.
- Você perdeu a sua identidade.
- Tem problema não, faço um boletim de ocorrência e não preciso pagar pela segunda via.
Ou:
- Eu até discutiria isso, mas estou vendo a novela.
Ou pior!
- A identidade nacional… – e por aí vai.
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Chega-se a um ponto em que a incredulidade total equivale a acreditar em qualquer coisa. Nada mais espanta – exceto pelas pessoas inúteis, pelas que se acham úteis e por outras que adoram utilizar travessões, ora porque necessitam, ora por questão de estilo.
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Não sei amarrar esse texto. Mal saberíamos, aliás, como mal sabemos amarrar os nossos próprios All Star.
Juventude anos oitenta, “mano” – com aspas, para casar com os travessões.